A lenda de fevereiro
Há muito tempo, quando o tempo ainda não tinha nomes e os meses eram espíritos livres dançando no céu, viviam doze irmãos, cada um com um caráter diferente.
Janeiro era duro e tranquilo, março impetuoso e curioso, julho alegre e desorientado… mas, entre todos, o menor era fevereiro, o mês gentil.
Fevereiro não falava muito. Preferia ouvir.
Caminhava lentamente entre as nuvens, recolhendo sonhos esquecidos e costurando-os em flocos de neve.
Enquanto os outros meses estavam lutando para ter mais dias, mais festas, mais sol, ele se afastou.
– Não preciso de muito tempo, disse ele com um sorriso.
Tenho o que é preciso para fazer um coração florescer.
Os outros meses ficavam provocando-o.
– Com tão poucos dias, ninguém vai reparar em você!
Mas fevereiro não ficou ofendido.
Todos os anos, ele tinha 28 dias, às vezes 29, quando o céu o presenteava com mais um.
Encheu-os de pequenos e profundos gestos: um abraço inesperado, uma carta de amor, um carinho matinal, uma promessa sussurrada.
Assim o tempo vendo sua doçura, resolveu fazer algo especial.
– Fevereiro, disse o Tempo, você tem menos dias, mas será o Mês do Amor.
O mês em que os corações se lembram de bater lentamente juntos.
E desde então, todos os anos, fevereiro volta com seus passos leves, traz o dia do AMOR e nos lembra que não é preciso muito tempo para fazer algo eterno.
Fevereiro tem poucos dias porque não mede a quantidade e sim a importância.
É o mês que nos ensina que o amor não precisa de espaço, mas sim de verdade.
As histórias de Nonno Alfredo, tradução e adaptação: graciosapagina.





