Ter e ser
Ser é precisar ter, mas para tal, o ter tem que se conformar à circunscrição do ser. É em seu cabimento e em sua justeza que o ter se dissolve na experiência do ser.
O ter abstrato, sob a forma de um privilégio que se adianta a uma carência, é a tragédia produzida pela tentativa de evadir-se da fundamental e inevitável deliberação sobre o”ter ou não ter”.
Toda vez que o “ter” for originado numa necessidade, se fará instrumento e nutriente do “ser”, ou seja, reforçará a medida e a limitação que configuram nossa experiência de “ser”. Toda vez que o “ter” se apropriar de algo que foge à limitação real do “ser”, que prescindir de uma necessidade real que o justifique, diminuirá o tônus e tornará flácida a experiência do “ser”.
O “Ter” é, e sempre será, questão essencial da existência. “Ser” é, e sempre será, questão relativa à matéria.
A tarefa desta reflexão é mergulhar no emaranhado de experiências e manifestações humanas que tornou a relação com a posse tão complexa, ou melhor, a tornou uma “questão”.
Nilton Bonder.





