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O que o poeta faz é mais do que dar nome às coisas. O que ele faz é converter as coisas em aparência pura. O que o poeta faz é iluminar as coisas.

No ano de 2007, Mia Couto participou, em Campinas – SP, de um Congresso sobre leitura. O homenageado era o poeta Ferreira Gullar e Mia iniciou o seu discurso falando na importância de “desarmadilharmos” o mundo. Segundo ele, “compete-nos desarmadilhar o mundo para que ele seja mais nosso e mais solidário. Todos queremos um mundo novo, um mundo que tenha tudo de novo e muito pouco de mundo. A isso chamaram de utopia.”

O escritor passa, então, a discorrer sobre as armadilhas do mundo contemporâneo, abordando desde o maniqueismo até a “biologização da identidade” que, segundo ele, são itens a serem “desarmadilhados”.

Esta intervenção de Mia Couto foi registrada no livro de ensaios “E se Obama fosse africano?”, onde poderá ser lida em sua integralidade. Segue o texto de Mia Couto:

As armadilhas de dentro
A nossa tentação é quase sempre maniqueísta. A visão simples que separa os “bons” dos “maus” é sempre a mais imediata. Quanto menos entendemos, mais julgamos.

A cilada maior é acreditarmos que as armadilhas estão sempre fora de nós, num mundo que temos por cruel e desumano. Ora, por muito que nos custe, nós somos também esse mundo. E as armadilhas que pensávamos exteriores residem profundamente dentro de nós. Quebrar as armadilhas do mundo é, antes de mais, quebrar o mundo de armadilhas em que se converteu o nosso próprio olhar. Precisamos de passar um programa antivírus pelo nosso hardware mental. Escolhi falar dessas ratoeiras interiores que nos convertem em nómadas deambulando entre ecos e sombras.

A armadilha da realidade
Uma das primeiras armadilhas interiores é aquilo que chamamos de “realidade”. Falo, é claro, da ideia de realidade que actua como a grande fiscalizadora do nosso pensamento. O maior desafio é sermos capazes de não ficar aprisionados nesse recinto que uns chamam de “razão”, outros de “bom-senso”. A realidade é uma construção social e é, frequentemente, demasiado real para ser verdadeira. Nós não temos sempre que a levar tão a sério.

Quando Ho Chi Minh saiu da prisão e lhe perguntaram como conseguiu escrever versos tão cheios de ternura numa prisão tão desumana ele respondeu: “Eu desvalorizei as paredes”. Essa lição se converteu num lema da minha conduta. Ho Chi Minh ensinou a si próprio a ler para além dos muros da prisão. Ensinar a ler é sempre ensinar a transpor o imediato. É ensinar a escolher entre sentidos visíveis e invisíveis. É ensinar a pensar no sentido original da palavra “pensar” que significava “curar” ou “tratar” um ferimento. Temos de repensar o mundo no sentido terapêutico de o salvar de doenças de que padece. Uma das prescrições médicas é mantermos a habilidade da transcendência, recusando ficar pelo que é imediatamente perceptível. Isso implica a aplicação de um medicamento chamado inquietação crítica. Significa fazermos com a nossa vida quotidiana aquilo que fizemos neste congresso que é deixar entrar a luz da poesia na casa do pensamento.

A armadilha da identidade
A mais perigosa armadilha é aquela que possui a aparência de uma ferramenta de emancipação. Uma dessas ciladas é a ideia de que nós, seres humanos, possuímos uma identidade essencial: somos o que somos porque estamos geneticamente programados. Ser-se mulher, homem, branco, negro, velho ou criança, ser-se doente ou infeliz, tudo isso surge como condição inscrita no ADN. Essas categorias parecem provir apenas da Natureza. A nossa existência resultaria, assim, apenas de uma leitura de um código de bases e nucleótidos.

Esta biologização da identidade é uma capciosa armadilha. Simone de Beauvoir disse: a verdadeira natureza humana é não ter natureza nenhuma. Com isso ela combatia a ideia estereotipada da identidade. Aquilo que somos não é o simples cumprir de um destino programado nos cromossomas, mas a realização de um ser que se constrói em trocas com os outros e com a realidade envolvente.

A imensa felicidade que a escrita me deu foi a de poder viajar por entre categorias existenciais. Na realidade, de pouco vale a leitura se ela não nos fizer transitar de vidas. De pouco vale escrever ou ler se não nos deixarmos dissolver por outras identidades e não reacordarmos em outros corpos, outras vozes.

A questão não é apenas do domínio de técnicas de decifração do alfabeto. Tratase, sim, de possuirmos instrumentos para sermos felizes. E o segredo é estar disponível para que outras lógicas nos habitem, é visitarmos e sermos visitados por outras sensibilidades. É fácil sermos tolerantes com os que são diferentes. É um pouco mais difícil sermos solidários com os outros. Difícil é sermos outros, difícil mesmo é sermos os outros.

A armadilha da hegemonia da escrita
Uma terceira armadilha é pensar que a sabedoria tem residência exclusiva no universo da escrita. É olhar a oralidade como um sinal de menoridade. Com alguma condescendência, é usual pensar a oralidade como património tradicional que deve ser preservado. O culto de uma sabedoria livresca pode contrariar o propósito da cultura e do livro que é o da descoberta da alteridade.

Certa vez, um menino de rua em Maputo veio-me devolver um livro que ele vira nas mãos de uma estudante à saída da escola. Notando a minha fotografia na capa, esse menino acreditou que a estudante me tinha roubado o livro. Me comoveu esse menino que atravessou a cidade para me devolver algo que, no entender dele, me pertencia. Mas o que ele me entregava era mais do que um objecto. Ele me entregava a inquietação profunda, a interrogação: a quem pertence realmente um livro? Ele é nosso porque o adquirimos, sim. O livro deve ser objecto e mercadoria para chegar às nossas mãos. Mas só somos donos desse objecto quando ele deixa de ser objecto e deixa de ser mercadoria. O livro só cumpre o seu destino quando transitamos de leitores para produtores do texto, quando tomamos posse dele como seus co-autores.

A mais importante linha divisória em Moçambique não é tanto a fronteira que separa analfabetos e alfabetizados, mas a fronteira entre a lógica da escrita e a lógica da oralidade. A absoluta maioria dos 20 milhões de moçambicanos vive e funciona num tipo de racionalidade que tem pouco a ver com o universo urbano. Mas em Moçambique, como no resto do mundo, a lógica da escrita instalou-se com absoluta hegemonia. Nesses casos, pressupostos filosóficos do mundo rural correm o risco de ser excluídos e extintos. Algumas das ideias que venho defendendo nesta comunicação estão claramente presentes na epistemologia da ruralidade africana. A concepção relacional da identidade, inscrita no provérbio: “Eu sou os outros”; a ideia de que a felicidade se alcança não por domínio mas por harmonias; a ideia de um tempo circular; o sentimento de gerir o mundo em diálogo com os mortos: todos estes conceitos constam da rica cosmogonia rural africana. É evidente que não se pode romantizar esse mundo não urbanizado. Ele necessita de enfrentar o confronto com a modernidade. O desafio seria alfabetizar sem que a riqueza da oralidade fosse eliminada. O desafio seria ensinar a escrita a conversar com a oralidade.

Não são só os livros que se lêem
Falamos em ler e pensamos apenas nos livros, nos textos escritos. O senso comum diz que lemos apenas palavras. Mas a ideia de leitura aplica-se a um vasto universo. Nós lemos emoções nos rostos, lemos os sinais climáticos nas nuvens, lemos o chão, lemos o Mundo, lemos a Vida. Tudo pode ser página. Depende apenas da intenção de descoberta do nosso olhar. Queixamo-nos de que as pessoas não lêem livros. Mas o deficit de leitura é muito mais geral. Não sabemos ler o mundo, não lemos os outros.

Vale a pena ler livros ou ler a Vida quando o acto de ler nos converte num sujeito de uma narrativa, isto é, quando nos tornamos personagens. Mais do que saber ler, será que sabemos, ainda hoje, contar histórias? Ou sabemos simplesmente escutar histórias onde nos parece reinar apenas silêncio?

Lembrei aqui o episódio do menino de rua porque tudo começa aí, na infância. A infância não é um tempo, não é uma idade, uma colecção de memórias. A infância é quando ainda não é demasiado tarde. É quando estamos disponíveis para nos surpreendermos, para nos deixarmos encantar. Quase tudo se adquire nesse tempo em que aprendemos o próprio sentimento do Tempo.

A verdade é que mantemos uma relação com a criança como se ela fosse uma menoridade, uma falta, um estado precário. Mas a infância não é apenas um estágio para a maturidade. É uma janela que, fechada ou aberta, permanece viva dentro de nós.

Recordo-me de que a guerra tinha deflagrado no meu país e o meu pai me levava a passear por antigas vias-férreas à procura de minérios brilhantes que tombavam dos comboios. Em redor, havia um mundo que se desmoronava mas ali estava um homem ensinando o seu filho a catar brilhos entre as poeiras do chão. Essa foi uma primeira lição de poesia. Uma lição de leitura do chão que todos os dias pisava. Meu pai me sugeria uma espécie de intimidade entre o chão e o olhar. E ali estava uma cura para uma ferida que eu não saberei nunca localizar em mim, uma espécie de memória de alguém que viveu em mim e fechou atrás de si um cortinado de brumas.

Pois eu vivo praticando a lição de leitura do meu pai que promove o chão em página. E estou aplicando o ensinamento de Ho Chi Minh que despromove a prisão em possibilidade de página. Deste modo aprendendo algo que sei que nunca chegarei a saber.

Enquanto escrevia o meu romance O último voo do flamingo viajei pelo litoral do sul de Moçambique à procura de mitos e lendas sobre o mar. Mas tal não aconteceu. Dificilmente havia histórias ou lendas. O imaginário destes povos pertencia invariavelmente à terra firme. Apesar de habitarem o litoral, os seus sonhos moravam longe do oceano.

Aos poucos fui entendendo — aquelas zonas costeiras eram habitadas por gente que chegou recentemente à beira-mar. São agricultores-pastores que foram sendo empurrados para o litoral. A sua cultura é a da imensidão da savana interior. Em suas línguas não existem palavras próprias para designar barco. O pequeno barquinho toma o nome a partir do inglês — bôte. O navio grande é chamado de xitimela xa mati (literalmente, “o comboio da água”). O próprio oceano é chamado de “lugar grande”. Pescar diz-se “matar o peixe”. Deitar a rede é “peneirar a água”.

As armadilhas de pesca são construídas à semelhança daquelas usadas na caça. Os territórios de colecta de mariscos na praia são parcelados e sujeitos a pousio, exactamente como se faz nos terrenos agrícolas. Ao contrário do que sucede no centro e no norte de Moçambique, estes povos pescam sem serem pescadores. São lavradores que também colhem no mar. O seu assunto continua sendo a semente e o fruto. Os seus sonhos moram em terra e os deuses viajam pela chuva.

Nós estamos todos como esses povos que desconheciam a relação com o mar. O chamado “progresso” nos empurrou para uma fronteira que é recente, e olhamos o horizonte como se fosse um abismo sem fim. Não sabemos dar nome às coisas e não sabemos sonhar neste tempo que nos cabe como nosso. Os nossos deuses dificilmente têm moradia no actual mundo.

Mas é exactamente nesse espaço de fronteira que estamos aprendendo a ser criaturas de fronteira, costureiros de diferenças e viajantes de caminhos que atravessam não outras terras mas outras gentes. A poesia de Gullar deu mote a este encontro. O poeta Gullar defende que a poesia tem por missão desafiar o impossível e dizer o indizível. O que o poeta faz é mais do que dar nome às coisas. O que ele faz é converter as coisas em aparência pura. O que o poeta faz é iluminar as coisas. Como nos versos com que encerro:

Toda coisa tem peso:
uma noite em seu centro.
O poema é uma coisa
que não tem nada dentro,
a não ser o ressoar
de uma imprecisa voz
que não quer se apagar
— essa voz somos nós.

Via Revista Pazes.

 

 

E o ciclo das estações faz o seu movimento natural, como tudo na vida e em nós.

Os ciclos se fecham, se abrem, se renovam e trazem as transformações necessárias para o nosso desenvolvimento.

Para bom entendedor, meia volta basta para seguirmos e concluirmos a volta inteira.

É círculo, é a roda da vida que gira, buscando manter o seu eixo íntegro. Tem mudança? Sim. Porém, é importante manter a integridade, a inteireza. O que só se consegue quando colocamos luz no que é substancial.

A roda da vida segue seu curso e, em sua sabedoria, deixa-se girar com leveza. Como num ballet, os giros só se equilibram se mantivermos o olhar focado no ponto de partida, para a ele retornarmos mantendo o nosso centro, apesar do que se transformou. Após o ciclo completo, já é um outro momento com sentimentos e sensações renovados.

Sabemos ser temporário esse momento de despedida do outono. Sabemos ser temporário esse tempo de receber o Inverno. Sabemos ser temporário tudo o que se move, porque é transformação.
Todas as estações estão fora e dentro de nós. Que sejamos capazes de sentir, entender e, com leveza, aceitar os giros naturais desse nosso ballet da vida.

Tchau Outono!

Bem-Vindo Inverno!

Mais Teresa Guimarães.

 

Já ouvi, algumas vezes: “Você tem um verdadeiro jardim aqui, que bênção!”. Amo os vasos que planto e, nesse sentido, sim, eles são uma bênção. Tudo o que nos desperta a capacidade de amar é uma bênção. Sempre me ocorre, porém, que quando se fala em bênção parece algo caído do céu. Meus jardins não existem por acaso ou geração espontânea. É assim que eles nascem, como na foto, em meio a trabalho, esforço, sujeira seguida de horas de limpeza, cuidado e dedicação, em inúmeros sábados, domingos e feriados. Escolho me dedicar a eles por várias horas, em vários dias. É escolha, não sofrimento, que fique claro, mas há esforço envolvido, trabalho braçal, cansaço.

Jardins e vasos existem em função do cuidado diário que recebem. Há vida ali e quem planta vida tem responsabilidades a cumprir. A entrega é retribuída em beleza infinita que alimenta os olhos, a alma e até o corpo. Jardins só existem onde alguém se dedicou a plantá-los, só prosperam onde alguém se dedica à entrega, a mantê-los, alimentando, hidratando, contendo pragas, se espetando, sujando as mãos, revirando a terra.

Assim, também, dentro de nós: só deixam de existir, em nosso interior, as ervas daninhas que cuidamos de conter e extirpar; só existe, em nós, aquilo que plantamos; só prospera e viceja, em nós, aquilo que recebe nutrição e quem escolhe o que nutrir, em si, somos nós mesmos. Escolhas exigem trabalho para que se materializem.

Plantar é escolha de entrega e dedicação, escolha do que se deseja ver brotar e crescer. O direito à escolha é uma bênção, mas as escolhas, em si, essas cabem a cada um.

Mariane Branco Alves

 

 

Hoje não há razões para otimismo.
Hoje só é possível ter esperança. Esperança é o oposto do otimismo.
Otimismo é quando, sendo primavera do lado de fora, nasce a primavera do lado de dentro. Esperança é quando, sendo seca absoluta do lado de fora, continuam as fontes a borbulhar dentro do coração.
Camus sabia o que era esperança.
São suas as palavras: “E no meio do inverno eu descobri que dentro de mim havia um verão invencível…”
Otimismo é alegria “por causa de”: coisa humana, natural. Esperança é alegria “a despeito de”: coisa divina.
O otimismo tem suas raízes no tempo.
A esperança tem suas raízes na eternidade.
O otimismo se alimenta de grandes coisas. Sem elas, ele morre.
A esperança se alimenta de pequenas coisas. Nas pequenas coisas ela floresce. Basta-lhe um morango à beira do abismo. Hoje, é tudo o que temos no século XXI: morangos à beira do abismo, alegria sem razões.

Rubem Alves, 1933-2014.

A menina que mora em mim por vezes visita-me para dar uma olhada na minha realidade.

Algumas vezes sorri de boca inteira como se olhasse num espelho. Outras, encara-me com estranheza e arrepio.
É quando estou longe do caminho das flores.

A menina que mora em mim acorda-me à noite. E de manhã continua no berço como se nada tivesse acontecido. É ela que guarda o meu tesouro no seu colo de criança: esperança e fé.

E é por isso que quando me perco dela, ela corre de novo pelo caminho, catando as flores dos quintais e as derrama todas em cima de mim.

Esse é o seu jeito de dizer: Acorda, mulher! Volta para o teu jardim!

Miryan Rezende.

 

 

Quando for grande, não quero ser médico, engenheiro ou professor.

Não quero trabalhar de manhã à noite, seja com o que for. Quando for grande, quero ser um brincador.

Ficam, portanto, a saber: não vou para a escola aprender a ser um médico, um engenheiro ou um professor.

Tenho mais em que pensar e muito mais que fazer. Tenho tanto que brincar, como brinca um brincador, muito mais o que sonhar, como sonha um sonhador, e também que imaginar, como imagina um imaginador.

A minha mãe diz que não pode ser, que não é profissão de gente crescida. E depois, acrescenta a suspirar : ” é assim a vida”. Custa tanto a acreditar. Pessoas que são capazes, que um dia também foram raparigas e rapazes, mas já não podem brincar.

A vida é assim? Não para mim. Quando for grande, quero ser um brincador. Brincar e crescer, crescer e brincar, até a morte vir bater à minha porta. Depois também, sardanisca verde que continua a rabiar depois de morta. Na minha sepultura, vão escrever: “Aqui jaz um brincador. Era o homem mais simples e dedicado, muito dado, que se levantava cedo todas as manhãs para ir brincar com as palavras”.

Álvaro Magalhães.

 

 

Todos os povos amam a Paz. Os que passaram por uma guerra sabem que não existe valor mais precioso. Sabem que a Paz é um outro nome da própria Vida. Vivemos desde há meses sob a permanente ameaça do regresso à guerra. Os que assim ameaçam devem saber que aquele que está a ser ameaçado não é apenas um governo. O ameaçado é todo um povo, toda uma nação.

Pode não ser este o momento, pode não ser este o lugar. Mas é preciso que os donos das armas escutem o seguinte: não nos usem, a nós, cidadãos de Paz, como um meio de troca. Não nos usem como carne para canhão. Diz o provérbio que “sob os pés dos elefantes quem sofre é o capim”. Mas nós não somos capim. Merecemos todo o respeito, merecemos viver sem medo. Quem quiser fazer política que faça política. Mas não aponte uma arma contra o futuro dos nossos filhos. É isto que queria dizer, antes de dizer qualquer outra coisa.

Mia Couto, início de seu discurso ao receber o título de “Doutor Honoris Causa” pela Universidade de Maputo.
(íntegra do discurso neste link)

 

 

Somos mães, somos filhas, somos o feminino em ação. Somos coração, razão, emoção. Tudo junto e misturado.

Somos mães de nossos filhos, de nossas filhas. Mas também, algumas vezes, somos suas filhas.

Viver com humildade esses lugares, de mãe e de filha, é o caminho para harmonizar as relações. Simplicidade, reconhecimento da nossa força e da nossa fragilidade, nos torna mais humanizadas e coerentes com a verdade da vida.

Bom podermos nos revelar, de “carne e osso”, aos nossos filhos. Bom darmos a eles a oportunidade de saberem que, podem sim, crescer, amadurecer, regredir, infantilizar e crescer novamente. E, assim, assumir o seu lugar de adultos saudáveis em harmonia com o seu ser real, vivo, presente e humanamente inteiro.

Somos “mãe” que acolhe, que sacode, que chora, se irrita e que diz: “Quero colo”. Somos “mãe” inteira, plena, na nossa simples e humana forma de ser.

Feliz Dia de “Ser Mamãe”!

Maria Teresa Guimarães.

 

 

Renasço na alma, no coração e no espírito. Renasço no físico, na terra.
O que nos contacta com o divino desce enquanto energia sutil e nos enraíza, nos dando forma e nos tornando “indivíduo”. Com o que nos pertence, com aquilo que é, essencialmente, nosso, chegamos para cumprir a nossa missão.
Vim para ser.
Vim para fazer.
Vim para pertencer.
Renascer na Páscoa é a oportunidade enviada pelos céus para reconhecer em mim o milagre da vida. É ter, como bússola, o coração a serviço do amor e da grandeza da alma.
E dedico esse dia, que é meu e seu, a todos que, de alguma forma, queiram celebrar, coração a coração, a vida que brota em abundância.
Somos “ser único”. Somos “ser universal”. Somos, eu e você, seres especiais, em processo do vir a ser mais luz, mais consciência, mais essência.
Tim-tim ao renascimento!!!
Feliz Páscoa!

Maria Teresa Guimarães.

 

Parei de insistir onde não havia o que procurar…
Parei de pedir com as mãos fechadas…
Parei de esperar em cadeiras ocupadas…
Parei de colocar minhas expectativas em pessoas indisponíveis para mim…
Parei de fingir que o outro me entendia…
Parei de colocar os olhos e a esperança em corações que não queriam bater ao meu lado…
E aí, aconteceu a magia!!!
Voltei para mim, como único destino possível…
Voltei para mim, como único caminho disponível…
Voltei para mim, como único reencontro pendente…
Voltei a mim e consegui ver minhas dores e minha alma desidratada, suplicando por água…
E me recebi!!!
Me perdoei…
Me deitei em meu ombro…
Chamei por mim com a minha própria voz…
Me encontrei!!!
Diferente, mas ainda intacta…
E me tive outra vez…
Me tenho de novo…
Então, outra magia aconteceu!!!
Subitamente, percebi que tenho as chaves das portas que eu quero abrir…
Aqui, dentro…
Lá fora só estão as fechaduras…
Mas eu decido onde e de mim depende como…
Eu decido onde…
Eu escolho como…
Eu escolho com quem…
Eu decido o que quero…
Eu decido o que mereço…
Mais tarde, entendi que essa magia sempre esteve comigo!!!
Pois, na verdade, ela nunca se foi…
Sempre esteve aqui dentro…
Mas eu não me permitia vê-la,
pois estava me rejeitando…
Assim, foi necessário descer às minhas sombras para ressuscitar…
Me abracei…
Me aceitei…
E segui…
Agora, mais viva que nunca!

Marcelina Daniel.