Esta menina tão pequenina
Quer ser bailarina.
Não conhece nem dó nem ré
Mas sabe ficar de ponta do pé.
Não conhece nem mi nem fá
Mas inclina o corpo para cá e para lá.
Não conhece nem lá nem si,
Mas fecha os olhos e sorri.
Roda, roda, roda com os bracinhos no ar
e não fica tonta e nem sai do lugar.
Põe no cabelo uma estrela e um véu
e diz que caiu do céu .
Esta menina
Tão pequenina
Quer ser bailarina.
Mas depois esquece todas as danças,
e também quer dormir como
as outras crianças.
Cecília Meireles, Ou isto ou aquilo.
As BOAS LEITURAS são tão necessárias para a formação do espírito da criança, como o bom alimento é indispensável ao seu desenvolvimento físico.
A história de toda a humanidade está perpetuada nos livros. Todo o bem que já foi feito, toda a perfeição que já foi alcançada, e até aqueles grandes erros que já foram cometidos no passado; toda a beleza e poesia; o toque mágico da vida, tudo isto está gravado nestes pequenos sinais negros que cortam as páginas dos livros. Esta herança tem sido transmitida de geração em geração a fim de que as crianças possam, quando chegada a sua vez, imprimir nas suas próprias vidas as mais preciosas experiências dos que as precederam. Os bons livros são, portanto, o mais caro legado para a infância e nenhuma criança pode dele ser espoliada, sem deixar de, com isso, sofrer graves prejuízos espirituais.
Ângelo Patri, Coleção Mundo da Criança, Vol. 1, 1954.
Hoje, mais uma década chegando e mais um ciclo se despedindo. Mais um renascimento me oferecendo a oportunidade de brilhar no meu silêncio, de amar na minha luz, de sentir com mais verdade e de destrançar os fios para voos mais calmos, mais leves e com asas que comandam com mais equilíbrio.
Hoje, mais um ano de vida! Mais novos dias para ser o que a alma pede, o que o coração enxerga e o que o corpo permite.
Sou hoje o que sei e o que não sei de mim. Que bênção! É aqui que me abro para celebrar o que ainda posso me descobrir e me desnudar diante dos meus próprios olhos.
Sou força sem ser fortaleza! Sou presença sem exigências! Sou beleza sem ser boniteza!
Sou!
Sou isso e sou aquilo.
Sou ontem e sou hoje!
Sou agora, sou depois e sou mais adiante!
Hoje, mais um ano da minha vida!
E o meu presente? A essência que me abraça, me acolhe e me agradece!
Sou!
Gratidão!!
Maria Teresa Guimarães.
Essa libélula encontrou no limoeiro o lugar acolhedor para o seu descanso. Aqui tem vida que alimenta, que recebe, que ilumina e que permite que, com segurança, ela chegue e se entregue ao repouso da noite!
Com sua capacidade de transformação, renovação e adaptação, deixando aqui o seu recado, mostra que estamos cuidando com respeito e com muito amor desse nosso lugar, onde ajudamos pessoas a abrirem portas que as levam ao encontro dos seus corações e de suas almas. O trajeto é para dentro, num mergulho na luz, que as tornam fiéis as suas verdades mais profundas.
Bem-vinda, bem-vindo, você, que assim como a libélula, procura o seu próprio lugar seguro e amoroso!
Maria Teresa Guimarães.
“Detesto explicações” é a frase do autor de Peter Pan. Ele, com certeza, não está rejeitando o entendimento – está rejeitando a redução do vivido ao explicável. A explicação empobrece o mistério e, mesmo que apresente a realidade e seja correta, pode servir de defesa para não sentir. O contato imediato com o que é real pode não precisar da mediação da explicação. Muito do que vivemos escapa ao saber e há verdades que só existem enquanto não são explicadas. Quando explicamos, matamos não só a nossa ingenuidade, mas também a capacidade de encostar na vida e tocá-la.
Nilton Bonder.
E vamos dar as boas-vindas ao outono! É aqui que movemos a terra para semear, fertilizar e colher os frutos. Vivemos, nesses últimos meses, o sol em sua potência máxima. Desfrutamos da vida que nos leva para fora, para a luz que nos aquece e nos traz alegria. Agora é hora de aquietar. Aquietar para criar vida nova, para plantar a sementinha da certeza do movimento cíclico de construções em pleno processo de gestação. Somos a terra fértil, acolhedora, generosa e gentil. Somos a possibilidade das possibilidades. Somos a esperança do fortalecimento das raízes que fazem crescer, florescer, frutificar e proteger.
Que o outono chegue com brisas de renovação.
Maria Teresa Guimarães.
Chega um dia na vida de todos nós, que lhe chamarão de SENHORA.
-O seu café, senhora.
-Não esqueça o seu troco, senhora.
Mas senhora para quem?
Você se vira pensando que tem uma SENHORA atrás de você, mas em vez disso, só tem você!
Então você olha para o vidro da janela onde sua imagem reflete, para ver se alguma coisa mudou na sua aparência, se há uma pequena pista que possa ter levado o barman, o lojista, a garçonete ligar a palavra SENHORA a você.
Não há nada de novo, está sempre lá você com a sua cara, as suas calças jeans, as suas mãos…Será que são as mãos?
E então por que tem alguém que lhe colocou na categoria de “adulto melhor idade” efeito de SENHORA?
Quem se atreve a tirar você da ilha, daquele mundo maravilhoso onde você é sempre criança ou jovem , onde todos encontramos refúgio quando acabou o amor, o trabalho, os anos que passam…
Ok. Talvez eu tenha que me acostumar, vou ter que tentar não me assustar quando me chamam de SENHORA, para me abster da insensibilidade, mas nunca vou desistir de voar para aquela ilha que não existe, porque é lá que os sonhos nunca morrem.
Tempo em que a rua era extensão dos quintais
E que nossos amigos, eram reais e não virtuais
E essa era a rede social, de uma ótima geração
Era sem whatsapp tinha que chamar no portão
Tempo das brincadeiras, de bola e bandeirinha
Ainda esconde-esconde, de corda e cirandinha
Paqueras nas calçadas, ou jogar conversa fora
Quando a mãe chamava que a gente ia embora
Então um dia entramos para nunca mais voltar
Quando então acordamos vimos tudo terminar
E na minha rua, tenho visto crianças brincando
E quem sabe essa nova geração está mudando
E talvez ainda descobrirão como fomos felizes!
Carlos A. Aniceto, Novos tempos!!
Sagrada seja a Nossa Mãe, que nos acompanha, protege, abre e aponta os caminhos mais seguros e abundantes!
Benditas sejamos nós na vida, no amor, na alegria e na dedicação e na disposição ao trajeto da evolução!
Somos mulheres do amor de Maria, do feminino da natureza e do acolhimento caloroso de nosso aquecido ventre.
Somos paz que envolve, alegria que se espalha e esperança que contagia.
Somos a fertilidade que move, que fortalece e que faz acontecer.
Trazemos da Fonte a qualidade da nossa essência original, a luz que torna possível viver em lealdade à verdade do coração.
Somos mulher, criança, feminino, masculino, sensível, firme, presente e ausente.
Somos certeza e dúvida. Somos a que ri e a que chora. Somos a perfeição na imperfeição do humano!
Somos!
Maria Teresa Guimarães
Há muito tempo, quando o tempo ainda não tinha nomes e os meses eram espíritos livres dançando no céu, viviam doze irmãos, cada um com um caráter diferente.
Janeiro era duro e tranquilo, março impetuoso e curioso, julho alegre e desorientado… mas, entre todos, o menor era fevereiro, o mês gentil.
Fevereiro não falava muito. Preferia ouvir.
Caminhava lentamente entre as nuvens, recolhendo sonhos esquecidos e costurando-os em flocos de neve.
Enquanto os outros meses estavam lutando para ter mais dias, mais festas, mais sol, ele se afastou.
– Não preciso de muito tempo, disse ele com um sorriso.
Tenho o que é preciso para fazer um coração florescer.
Os outros meses ficavam provocando-o.
– Com tão poucos dias, ninguém vai reparar em você!
Mas fevereiro não ficou ofendido.
Todos os anos, ele tinha 28 dias, às vezes 29, quando o céu o presenteava com mais um.
Encheu-os de pequenos e profundos gestos: um abraço inesperado, uma carta de amor, um carinho matinal, uma promessa sussurrada.
Assim o tempo vendo sua doçura, resolveu fazer algo especial.
– Fevereiro, disse o Tempo, você tem menos dias, mas será o Mês do Amor.
O mês em que os corações se lembram de bater lentamente juntos.
E desde então, todos os anos, fevereiro volta com seus passos leves, traz o dia do AMOR e nos lembra que não é preciso muito tempo para fazer algo eterno.
Fevereiro tem poucos dias porque não mede a quantidade e sim a importância.
É o mês que nos ensina que o amor não precisa de espaço, mas sim de verdade.
As histórias de Nonno Alfredo, tradução e adaptação: graciosapagina.