A Psicologia vive em mim e eu vivo nela. Não 24 horas por dia e nem 365 dias no ano. Vivo na Psicologia do meu ser e meu ser vive na Psicologia da minha alma.

Sou Psicóloga por escolha que fiz aos 13 anos de idade. Portanto, se isso não nasceu comigo, me foi entregue para nascer naquele momento, acho até que precocemente. Desde lá, minhas antenas já captavam a beleza que habitava na amplitude do mundo interno de cada ser humano. O primeiro reconhecimento da riqueza desse mundo foi a partir das minhas necessidades internas de sair do casulo para exercer a minha capacidade de ser inteira, verdade e autenticidade. Eu já intuía que era aqui dentro de mim onde estava a luz que podia colaborar para que o outro encontrasse o seu próprio brilho.

Cresci firme na decisão de seguir nesse caminho, acreditando no encontro comigo, com o meu ser essência e com o outro.

Escolhi ser Psicoterapeuta. Abracei o trabalho clínico com meu espírito, meu coração e meu olhar. Recebo a mim e a você com escuta, acolhimento, sentimento, dedicação e responsabilidade. Aprendi a seriedade do meu trabalho ao longo dessa longa trajetória de estudos, aprendizados, autoconhecimento e aprimoramento de mim enquanto pessoa que se busca, que se olha e tenta se decifrar nos emaranhados construídos ao logo da minha história.

Tudo isso graças aos meus mestres, que tão bem trocaram saberes. Graças aos meus terapeutas, que me olharam, me acolheram e me respeitaram na grandeza do ser que fui, que me tornei e que sou. Sou grata a vocês, estejam onde e como estiverem, que me ajudaram nas minhas transformações sem deixar de ser quem sou na minha essência original.

Obrigada a vocês clientes que por mim passaram e àqueles que aqui estão, por confiarem suas histórias, suas dores, me dando a oportunidade de estar nesse lugar de ser colo, abraço, cuidado, trocas e silêncio sob medida para uma escuta amorosa. Sempre aprendendo, crescendo, me vendo e me transformando.

Dia do Psicólogo!

Dia de celebrar o cuidar, a troca, a verdade, a dedicação, a escuta e a valorização do ser pessoa diante de outro ser pessoa!

Parabéns!

Maria Teresa Guimarães.

…Jung, acima de tudo, tinha profunda aversão aos ismos, e o adjetivo “junguiano”, que tão facilmente poderia converter-se em “junguianismo”, era descartado pelos seus discípulos de psicologia.

“Não quero que ninguém seja junguiano”, afirmava-me. “Quero que as pessoas sejam, sobretudo, elas mesmas. Os ismos são o vírus de nossa época, responsáveis por desgraças maiores do que aquelas causadas por qualquer praga ou peste medieval. Se um dia descobrir que criei outro ismo, então terei fracassado naquilo que procurei fazer.”

Laurens van der Post, Jung e a História de Nosso Tempo.

 

 

Temos a mania de complicar o que é simples…

Tornar difícil o que é fácil…

Ver problemas onde não há..

Ver como peso o que é normal, faz parte da vida de qualquer ser humano, nesta jornada que é a vida…

Fazer literalmente tempestade em um copo de água…

Sofrer antecipadamente por suposições futurísticas que na maioria nunca existirá…

Devemos perceber as coisas simples da rotina como são, sem complicar, sem se aterrorizar…

Atualmente, as pessoas andam muito nervosas e com uma distorção acerbada da realidade, fazendo do cotidiano algo pesado, assim adoecendo mentalmente…

É preciso ver a vida com outros parâmetros, perceber as belezas nela inseridas, dar ênfase a nossa força vital e inteligência emocional, resolver as coisas com mais calma, empatia, simplicidade, com mais leveza…

Mah Pagliuso, via Almas Leves.

 

Estando aqui, ali, acolá, aquém ou além, alguém decidiu cair na nossa vida e se apresentar como pai. Só estamos aqui porque aquela pessoa resolveu que um dia abriria seu coração para nos conceber e nos receber. A concepção pode ter sido biológica ou não. Aqui, isso não é importante. A decisão de ser pai, seja de um jeito ou de outro, envolve coração, espírito, alma e o sonho de acolher, cuidar e amar um serzinho que chega mexendo e remexendo com o mais profundo do “ser pai”.

Se você, pai, acredita que não fez essa escolha, que foi tudo ao acaso, doce ilusão! Se nós, filhos e filhas, achamos que ganhamos o nosso pai, aquele pai, por engano, esqueçamos essa ideia. O encontro já estava marcado. É nesse encontro que, fácil ou difícil, com medos, dúvidas e incertezas, a vida coloca no caminho as oportunidades para, vocês pais e nós filhos e filhas, descobrirmos que dentro de cada um de nós vive aquele sentimento chamado Amor, que nos leva a acolher, a aceitar, a perdoar, mesmo nos momentos mais conflitantes e dolorosos. Vocês, pais, e nós, filhos e filhas, aprendemos nessa relação de construções, desconstruções e reconstruções a verdadeira expressão do sentimento do bem maior!

Parabéns papais por, nas tentativas e erros, permitirem, de alguma forma, abrir o coração e a alma para viverem com verdade os aprendizados desafiadores dessa relação tão deliciosamente complexa!

Um Feliz e Alegre Dia Amoroso de Pai!

Maria Teresa Guimarães.

Tussa, tussa, tussa mesmo! Tussa todos os engasgos que você já não suporta mais! O mundo está engasgado e você é só mais um nesse planeta que, com o seu tossir, expressa os entalos na garganta. Tussa bravamente! Pigarreie com a força de quem quer expurgar os desagrados, as frustrações, as dores da alma! Isso, assim mesmo! Agora chegou o momento de desengasgar, de permitir que o simples ato de respirar abra os canais da dor, deixando o ar fluir e desatar os nós que te sufocaram até agora. Tire a corda do pescoço! Inspire e expire com o sentimento de quem resgatou o direito à vida! Renasça com a consciência da luz que te trouxe até aqui. É você! Sou eu! Somos nós com sede de alma!

Maria Teresa Guimarães.

 

Pensando cá com meus botões
desabotôo em versos minh’ alma.
Ser avó não é uma privacidade.
É nota musical “sustenida”
no fio longo
da vida, num
“crescendo”
que reverbera
em poderosa universalidade.
Desabotoa as
vestes do tempo
mistura presente
futuro e passado
em acordes de
amor perfeito
em mágica sonoridade.
E assim…olho
pra minha neta
com olhar de vó
e poeta
em busca da rima perfeita
sem subterfúgios
e sem cerimônia.
E ela revela em silêncio
que tem nome
poesia e sobrenome!
E que basta eu chamá-la baixinho
que de pronto ela me responde:
Estou aqui! Sou sua neta, sou Antonia!

Marta Manhães de Andrade, Niteroi 2026.

 

 

Desconfie de toda espiritualidade que afasta o sagrado da terra e o coloca tão distante que deixa de responder pelos gestos humanos. Quando a transcendência serve apenas para justificar o presente, em vez de transformá-lo, a fé pode tornar-se um álibi para a indiferença. O verdadeiro encontro com o divino não suspende a responsabilidade pelo mundo; ao contrário, torna cada palavra, escolha e encontro mais sagrados justamente porque acontecem aqui.

Nilton Bonder.

 

O suspiro branco que você exalou
Agora pega carona no vento lentamente
Para as nuvens que flutuam no céu
Pouco a pouco vai se apagando

Do alto e do meio do céu
Nuvens brancas se esticam
Para inalar o teu suspiro
E continuam a flutuar

Parece uma coisa de um passado distante
Nuvens passam por cima do rio

Evitando o reflexo do sol
O cão dorme embaixo do beiral
As lembranças também, no meio daquele céu
Pouco a pouco vão se apagando

Do outro lado deste céu
Tem mais um céu azul
Dentro do céu que não tem ninguém
As nuvens flutuam

Tsunekichi Suzuki, música de abertura de Midnight Diner: Tokyo Stories. Tradução de Piti Koshimura.

 

 

Há uma coisa que ninguém te diz em voz alta: a realidade não é um filme com roteiro fechado. É um feed em constante atualização, cheio de cortes, filtros e momentos que parecem perfeitos só porque alguém escolheu mostrá-los. E tu? Tu és o autor das tuas cenas, mesmo quando te sentes figurante.

A pressão vem em ondas — escola, trabalho, likes, expectativas da família, aquela voz interior que compara tudo. Respira. Não é fraqueza sentir medo ou não saber o próximo passo. É sinal de que estás a crescer. Crescer dói, mas também abre portas que nem sabias que existiam. O truque é aprender a andar com as portas abertas, mesmo quando o vento bate forte.
O mundo pede que sejas produtivo, que tenhas plano, que escolhas cedo. Mas a vida real é feita de tentativas, de erros que ensinam mais do que acertos. Experimenta. Falha. Levanta. Faz as perguntas que ninguém te ensinou a fazer: o que te aquece o peito? O que te tira o sono de um bom sentido? O que farias se soubesses que não vais falhar? As respostas não vêm todas de uma vez. Vêm em bocadinhos, em conversas à noite, em músicas que repetes até entenderes a letra.

Não te deixes reduzir a rótulos. És mais que notas, mais que profissão, mais que a tua conta. A tua identidade é um mosaico em construção e está tudo bem mudar peças. Amizades vão e vêm; alguns amores ficam, outros ensinam. Aprende a despedir-te com gratidão e a receber com curiosidade. A vida é um combo de perdas e ganhos, e cada perda traz um espaço novo para algo teu crescer.

Cuida da tua cabeça como cuidas do teu telemóvel: atualiza, limpa, desliga quando precisa. Pede ajuda sem vergonha. Falar não é fraqueza, é estratégia. E lembra-te: a tua velocidade não define o teu valor. Há quem corra e há quem caminhe; ambos chegam a sítios diferentes, ambos chegam.

Se queres mudar o mundo, começa por mudar a tua rotina pequena. Pequenas revoluções diárias, levantar mais cedo, dizer menos sim por obrigação, aprender uma coisa nova por semana, acumulam-se e viram movimento. O futuro não é um destino distante; é o resultado das tuas escolhas de hoje.

No fim, o que fica são as histórias que contaste a ti mesmo e aos outros. Conta-as com coragem. Faz com que valha a pena partilhar. Porque um texto que toca é um texto que se espalha. E a tua vida pode ser esse texto.

Filipe de Luar, via Almas Leves.

 

 

Por vezes, vejo-me obrigado a ter deitados alguns livros nas minhas estantes. A posição está longe do ideal.

Para tirar um livro, tenho frequentemente de tirar uma pilha deles.

Os livros nascem das árvores, e, como elas, gostam de verticalidade: estar em pé, de pé. São objetos verticais.

Aliás, como a vida. Descansamos deitados, mas vivemos contrariando a gravidade, numa luta constante. Ser vertical é um desígnio, enquanto desmaiar, cair, morrer, não exige esforço, e simplesmente deixar que a Natureza faça o seu trabalho de esmaecimento, de transformar catedrais em areia e nunca o contrário.

Mas nós, animais, árvores e livros, tendemos a contrariar esse destino: erguemo-nos. Levantamo-nos. Esse movimento quotidiano, tão simples, define a vida.

E, seguindo o exemplo dos livros nas estantes, devíamos exaltar esse permanecer em pé, lado a lado.

Afonso Cruz, O Vício dos Livros II,  via Mala d’estórias