Não é o bom comportamento, mas a atividade lúdica que é a artéria central, o cerne, o bulbo cerebral da vida criativa. O impulso para o lúdico é instintivo. Sem o lúdico, não há vida criativa. Com o comportamento restrito ao “bom”, não há vida criativa. Quando estamos sentadas sem nos mexer, não há vida criativa. Quando falamos, pensamos e agimos apenas com modéstia, não há vida criativa. Qualquer grupo, sociedade, instituição ou organização que incentive as mulheres a desprezar o que for excêntrico; a suspeitar do que for novo e incomum; a evitar o que for inovador, vital, veemente; a despersonalizar o que lhe for característico, estará à procura de uma cultura de mulheres mortas.
Clarissa Pinkola Estés.
Há uma parte de mim que só existe quando ninguém está a ver, quando não há testemunhas, quando não há expectativas, quando não há uma necessidade de ser interessante, útil, forte ou desejável. É aí que descubro que muito do que eu chamava de identidade era, afinal, uma resposta ao olhar do outro, à espera do outro, à validação do outro. Quando ninguém me olha, não há espelhos, e sem espelhos, sobra o que é. Ou o que resta. E isso desinstala. Durante anos, organizei-me para fora, afinei-me para ser lido, escolhido, confirmado. Aprendi a existir em função do olhar, não da presença. E chamava a isso de ser. Hoje, percebo que era, muitas vezes, apenas para parecer bem. Quando ninguém me olha, não há palco, não há personagens, não há histórias. Há apenas silêncio. E o silêncio não valida, não devolve, não sustenta nenhuma imagem, mas, pelo contrário, obriga a ficar. Quem sou eu quando ninguém me olha? Não sou o que faço, nem o que resolvo, nem o que aguento. Sou aquilo que fica quando tudo isso cai. E, às vezes, o que fica é estranho, porque nunca me deixei existir sem utilidade. Há um desconforto subtil em não ser necessário, uma vertigem pequena em não ser chamado. É aí que percebo o quanto usei o olhar dos outros como chão. Hoje, ficar sem ninguém a olhar-me é uma aprendizagem. Ficar sem reflexo é uma reparação. Não é uma perda, mas uma reeducação. Estou a aprender a existir sem ser visto, a valorizar-me sem ser desejado, a permanecer sem ser escolhido, a ser sem estar a tentar ser. Quem sou eu quando ninguém me olha? Ainda não sei. E, pela primeira vez, isso já não me assusta.
José Micard Teixeira, via Almas Leves.
Assim, pelos olhos, o amor atinge o coração:
Pois os olhos são os espiões do coração.
E vão investigando
O que agradaria a este possuir.
E quando entram em pleno acordo
E, firmes, os três em um só se harmonizam,
Nesse instante nasce o amor perfeito, nasce
Daquilo que os olhos tornaram bem-vindo ao coração.
O amor não pode nascer nem ter início senão
Por esse movimento originado do pendor natural.
Pela graça e o comando
Dos três, e do prazer deles,
Nasce o amor, cuja clara esperança
Segue dando conforto aos seus amigos.
Pois, como sabem todos os amantes
Verdadeiros, o amor é bondade perfeita,
Oriunda – ninguém duvida – do coração e dos olhos.
Os olhos o fazem florescer; o coração o amadurece:
Amor, fruto da semente pelos três plantada.
Giraut de Bornelh, c. 1138-1215.
Mãe é aquela que se preocupa com a gente a vida toda… mesmo quando viramos “gente grande”
A dor de uma mãe de filhos adultos
é uma dor especial.
Ela não grita. Não chora em público.
É uma dor silenciosa, profunda e contida.
que se esconde nas orações diárias,
em pensamentos noturnos,
em um suspiro silencioso enquanto toma uma xícara de chá na cozinha.
É uma dor que aparece quando
seus filhos cresceram,
tomaram o seu próprio caminho,
fazem suas próprias escolhas, cometem seus próprios erros.
Uma mãe gostaria de correr atrás deles,
segurar-lhes de mãos dadas novamente como quando eram pequenos,
protegê-los do mundo, da dor, das escolhas erradas.
Eu gostaria de gritar:
“Para! Eu já passei por isso!”
Mas… Não pode.
Porque ele já não é um menino que você pode esconder debaixo da sua asa.
Ele é um adulto, com o seu próprio caminho, o seu próprio destino,
seu próprio coração aprendendo através de suas próprias feridas.
E essa é a parte mais difícil:
permitir que seu filho viva a vida dele.
Permitir que ele caia e se levante, erre e aprenda.
Não interferir quando você quer gritar.
Não aconselhar quando você deseja guiar.
Apenas esperar. Esteja presente.
Reze em silêncio.
Enviar amor através dos pensamentos
e esperar que chegue até eles.
Acreditar que tudo vai ficar bem.
Porque uma mãe,
embora seus filhos cresçam,
sempre conserva o mais importante:
amar e rezar por eles todos os dias.
Via @casa.rosa
Esta menina tão pequenina
Quer ser bailarina.
Não conhece nem dó nem ré
Mas sabe ficar de ponta do pé.
Não conhece nem mi nem fá
Mas inclina o corpo para cá e para lá.
Não conhece nem lá nem si,
Mas fecha os olhos e sorri.
Roda, roda, roda com os bracinhos no ar
e não fica tonta e nem sai do lugar.
Põe no cabelo uma estrela e um véu
e diz que caiu do céu .
Esta menina
Tão pequenina
Quer ser bailarina.
Mas depois esquece todas as danças,
e também quer dormir como
as outras crianças.
Cecília Meireles, Ou isto ou aquilo.
As BOAS LEITURAS são tão necessárias para a formação do espírito da criança, como o bom alimento é indispensável ao seu desenvolvimento físico.
A história de toda a humanidade está perpetuada nos livros. Todo o bem que já foi feito, toda a perfeição que já foi alcançada, e até aqueles grandes erros que já foram cometidos no passado; toda a beleza e poesia; o toque mágico da vida, tudo isto está gravado nestes pequenos sinais negros que cortam as páginas dos livros. Esta herança tem sido transmitida de geração em geração a fim de que as crianças possam, quando chegada a sua vez, imprimir nas suas próprias vidas as mais preciosas experiências dos que as precederam. Os bons livros são, portanto, o mais caro legado para a infância e nenhuma criança pode dele ser espoliada, sem deixar de, com isso, sofrer graves prejuízos espirituais.
Ângelo Patri, Coleção Mundo da Criança, Vol. 1, 1954.
Hoje, mais uma década chegando e mais um ciclo se despedindo. Mais um renascimento me oferecendo a oportunidade de brilhar no meu silêncio, de amar na minha luz, de sentir com mais verdade e de destrançar os fios para voos mais calmos, mais leves e com asas que comandam com mais equilíbrio.
Hoje, mais um ano de vida! Mais novos dias para ser o que a alma pede, o que o coração enxerga e o que o corpo permite.
Sou hoje o que sei e o que não sei de mim. Que bênção! É aqui que me abro para celebrar o que ainda posso me descobrir e me desnudar diante dos meus próprios olhos.
Sou força sem ser fortaleza! Sou presença sem exigências! Sou beleza sem ser boniteza!
Sou!
Sou isso e sou aquilo.
Sou ontem e sou hoje!
Sou agora, sou depois e sou mais adiante!
Hoje, mais um ano da minha vida!
E o meu presente? A essência que me abraça, me acolhe e me agradece!
Sou!
Gratidão!!
Maria Teresa Guimarães.
Essa libélula encontrou no limoeiro o lugar acolhedor para o seu descanso. Aqui tem vida que alimenta, que recebe, que ilumina e que permite que, com segurança, ela chegue e se entregue ao repouso da noite!
Com sua capacidade de transformação, renovação e adaptação, deixando aqui o seu recado, mostra que estamos cuidando com respeito e com muito amor desse nosso lugar, onde ajudamos pessoas a abrirem portas que as levam ao encontro dos seus corações e de suas almas. O trajeto é para dentro, num mergulho na luz, que as tornam fiéis as suas verdades mais profundas.
Bem-vinda, bem-vindo, você, que assim como a libélula, procura o seu próprio lugar seguro e amoroso!
Maria Teresa Guimarães.
“Detesto explicações” é a frase do autor de Peter Pan. Ele, com certeza, não está rejeitando o entendimento – está rejeitando a redução do vivido ao explicável. A explicação empobrece o mistério e, mesmo que apresente a realidade e seja correta, pode servir de defesa para não sentir. O contato imediato com o que é real pode não precisar da mediação da explicação. Muito do que vivemos escapa ao saber e há verdades que só existem enquanto não são explicadas. Quando explicamos, matamos não só a nossa ingenuidade, mas também a capacidade de encostar na vida e tocá-la.
Nilton Bonder.
E vamos dar as boas-vindas ao outono! É aqui que movemos a terra para semear, fertilizar e colher os frutos. Vivemos, nesses últimos meses, o sol em sua potência máxima. Desfrutamos da vida que nos leva para fora, para a luz que nos aquece e nos traz alegria. Agora é hora de aquietar. Aquietar para criar vida nova, para plantar a sementinha da certeza do movimento cíclico de construções em pleno processo de gestação. Somos a terra fértil, acolhedora, generosa e gentil. Somos a possibilidade das possibilidades. Somos a esperança do fortalecimento das raízes que fazem crescer, florescer, frutificar e proteger.
Que o outono chegue com brisas de renovação.
Maria Teresa Guimarães.